Dia Internacional da Pessoa com Deficiência pede reflexão sobre equidade

No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, a palestrante Nana Datto convida a refletir sobre o capacitismo e lembra que ser PCD é apenas uma característica, mas não define ninguém por inteiro

No dia 3 de dezembro é celebrado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, uma data para lembrar a importância da união de todos para um mundo com mais equidade. A palestrante e publicitária Nana Datto é pessoa com deficiência (PCD) e tem dedicado sua vida à promoção da inclusão real em todos os espaços. No dia dedicado à reflexão sobre a importância da diversidade, ela pede: “vamos pensar nas pessoas com deficiência para além da deficiência. Ser PCD é apenas uma característica que faz parte de quem eu sou, da minha personalidade, mas não me define por inteiro.”

A data também traz oportunidade de refletir sobre as atitudes capacitistas que estão presentes no dia a dia das empresas, escolas e organizações. “Nós estamos inseridos em uma sociedade que trata a pessoa com deficiência de uma forma estereotipada e com muito preconceito. Eu mesma escuto muitos comentários realçando que ‘nem parece que sou uma PCD, pois sou ativa e faço muitas coisas. As pessoas não percebem que afirmações desse gênero são capacitistas, pois subentendem que uma pessoa com deficiência não pode ter uma vida plena, cumprir metas, ser feliz”, afirma.

Clique e saiba mais

Capacitismo no mundo do trabalho 

Nana Datto alerta que o capacitismo se revela também no mundo do trabalho. Como existe uma lei que obriga as empresas a contratarem pessoas com deficiência, é comum reduzir a presença das PCDs nos empregos à obrigatoriedade da cota. “Nossa luta é que sejamos reconhecidos por todas as nossas potencialidades além da obrigatoriedade de contratação. A cota é apenas para garantir equidade, visto que as empresas em geral não contratam pessoas com deficiência espontaneamente. Porém, não estamos na empresa só porque somos PCD. Estamos na empresa porque somos competentes”, afirma. 

Ela lembra que o discurso capacitista no trabalho inviabiliza todo esforço, dedicação, aprendizado e conhecimento que a pessoa com deficiência desenvolveu ao longo de sua trajetória. “Em geral, a PCD acaba querendo fazer mais do que as pessoas sem deficiência na busca de provar o seu valor, pois além das dificuldades comuns a todos, nós também enfrentamos o preconceito enraizado na sociedade.”

Ser PCD é apenas uma característica

Em sua trajetória pessoal, Nana Datto lembra que chegou a sentir medo de se declarar pessoa com deficiência nos processos seletivos dos quais participou por conhecer bem o peso do preconceito. Foi com muito autoconhecimento, porém, que ela entendeu que ser PCD não é algo negativo ou pejorativo, pelo contrário, é apenas uma característica. 

No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, portanto, ela faz um apelo: vamos deixar de assimilar a deficiência como algo ruim ou doloroso e colocar as PCDs no lugar da normalidade. “Não somos sofredores, nem anjos ou heróis. Somos simplesmente pessoas comuns e queremos viver como todo mundo, com respeito e dignidade.”

Nas palestras que faz em empresas e organizações, ela lembra que o equilíbrio é um dos principais caminhos para promover a inclusão. “Conquistamos oportunidades porque estudamos, trabalhamos e nos dedicamos. As políticas públicas que garantem equidade são muito importantes para que a deficiência não seja uma limitação em nossas vidas.Temos direito a buscar oportunidades e a experiência de uma vida plena”, destaca, convidando para uma reflexão final. “Para falar de inclusão e diversidade é preciso entender de verdade o que é ser uma pessoa com deficiência. Não queremos privilégios, queremos ter os mesmos direitos de todas as pessoas: poder ir e vir e participar da vida em sociedade com equidade e respeito.”

Separamos exclusivamente para você

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

um + 17 =

Go up